quinta-feira, 8 de julho de 2010

Amar o seu próximo sem ecepção


A responsabilidade de amar o próximo como a si mesmo é descrita com a “lei régia” (Tiago 2:8).
É fácil entender por que o mandamento receberia tal nomeação; de acordo com Paulo, é o “cumprimento da lei” porque não pratica mal contra o próximo (Romanos 13:10). A obrigação de amar ao próximo, na verdade, compreende todos aqueles mandamentos que regulam nosso comportamento com os outros.
Se o mandamento de amar ao próximo é fundamental, então também deve ser notado que demonstrar acepção é uma violação a este mandamento. Tiago escreveu: “Se vós, contudo, observais a lei régia segundo a Escritura: Amarás o teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem; se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo argüidos pela lei como transgressores” (2:8-9).
Com certeza é verdade que não tratamos todas as pessoas exatamente da mesma forma. Isso é acepção? Para responder, observe que para Deus não há acepção (Romanos 2:11), no entanto Deus não trata todas as pessoas exatamente da mesma forma. Ele abençoa quem obedece a ele e guarda os seus preceitos mas castiga outras. Essas outras pessoas são aquelas que ouve e não as praticas as coisas de Deus.
Tiago afirma que aqueles que mostram a acepção se tornaram “juízes tomados de perversos pensamentos” (2:4). Na aplicação que Tiago cita, os irmãos favoreciam o homem rico sobre o homem pobre na sua assembléia, isto é, preconceito econômico. Deram atenção ao homem rico e deram-lhe o assento melhor (2:2-3). Enquanto isso não parece ser uma ação terrível, essencialmente eram culpados de “perversos pensamentos”, isto é, julgaram que o homem rico era melhor do que o pobre, baseado apenas em suas possessões, um padrão irrelevante. A riqueza em si não torna o homem nem melhor nem pior.
O preconceito racial é simplesmente outra forma de acepção – baseada na cor da pele. Uma pessoa não é melhor nem pior por causa da cor de sua pele, mas muitos determinarão seu tratamento do seu próximo baseado no “rosto”. É interessante que a justiça muitas vezes é retratada como uma mulher com os olhos tampados. O tratamento justo é assegurado porque ela não pode “ver” o “rosto” daqueles que aparecem diante dela para o julgamento.
Poucas pessoas admitirão ser culpadas de acepção, sempre dando uma “razão” pelo seu tratamento melhor de uma pessoa. Deus, entretanto, é o juiz perfeito e não é enganado pelas minhas desculpas.

As pessoas, ao freqüentarem as reuniões da Igreja eram distinguidas pelas suas posses e pela posição que ocupava na sociedade.

Mas daí surgiu um varão que viu esse estado de coisas e não concordou com elas. Esse homem se chamava Tiago e havia se convertido ao cristianismo depois da morte de Jesus.

Percebeu Tiago que os apóstolos estavam fazendo acepção de pessoas e as estavam diferenciando pelos seus trajes ou pelo uso de ricas jóias e pensou que esse não era um procedimento digno dos ensinamentos de Jesus, que sempre pregou a igualdade das pessoas, não permitindo que uma, pelos seus bens, ou pelos seus finos trajes, fosse considerada maior do que as outras, pobres e humildemente trajadas.

Tiago então, lançando mão de sua estatura moral e espiritual, escreveu uma carta que serviu de advertência e correção nos costumes da Igreja.

No capítulo 2 de sua carta, Tiago apresenta uma crítica aos costumes da Igreja, que ainda hoje é uma norma vigente no cristianismo. Diz assim Tiago: “Meus irmãos, não tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da Glória, fazendo acepção de pessoas”. Disse ainda Tiago que se entrasse alguém no Templo com anéis de ouro e roupas de luxo e entrasse também alguém pobremente vestido, os líderes não deveriam dar lugar especial ao rico e um lugar secundário ao pobre andrajoso. Se, todavia fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado. A misericórdia triunfa sobre o juízo”.

Linda essa observação de Tiago. A Igreja, naturalmente, na época, quando apenas dava os seus primeiros passos, deve ter atendido as palavras de Tiago e deve ter mudado o seu procedimento com referência às pessoas.

Jesus, quando organizou o seu discipulado, não fez acepção de pessoas; escolheu homens de várias camadas sociais.

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